Posição social
As pessoas entram no trabalho a partir de posições sociais e laborais interseccionais, não como indivíduos neutros.

Investigadora · PhD em Psicologia Aplicada
Saúde ocupacional por uma lente interseccional
Portugal · Brasil · Europa

O risco psicossocial não é simplesmente distribuído. Ele é alocado — e esse padrão nunca é aleatório.
Sobre a investigação
A minha investigação parte de uma observação simples: o trabalho não é vivido da mesma forma por todas as pessoas. O mesmo ambiente organizacional que parece rotineiro para algumas trabalhadoras e trabalhadores pode tornar-se fonte de stresse crónico, exclusão ou apagamento para outras pessoas.
Essa assimetria — estruturada por género, orientação sexual, estatuto migratório e classe ocupacional — é o fio condutor do meu trabalho. Atuo na intersecção entre psicologia ocupacional e ciências sociais críticas, onde o rigor quantitativo encontra a complexidade vivida das trajetórias laborais.
Dos contextos industriais em Portugal ao trabalho invisível de pessoas LGBTQIA+ que navegam ambientes hostis, o meu objetivo é tornar visível aquilo que as métricas organizacionais tendem a ocultar.
Foco de investigação
Aplicação do modelo Job Demands-Resources e de instrumentos como o COPSOQ para compreender como o trabalho molda a saúde em setores industriais e de serviços em Portugal e noutros contextos.
Análise de como sexo, estatuto migratório e classe ocupacional se combinam para produzir exposições diferenciadas a riscos psicossociais — operacionalizadas por meio de I-MAIHDA, o núcleo analítico do IOH Framework.
Investigação das cargas psicossociais específicas vividas por trabalhadoras e trabalhadores LGBTQIA+ — do clima organizacional às trajetórias laborais — com foco particular nos contextos português e brasileiro.
Trabalho atual
Projeto de investigação sobre carga mental invisível, conflito trabalho-família e saúde psicológica entre mulheres trabalhadoras, integrando I-MAIHDA com uma leitura crítica da Diretiva UE 2019/1158 sobre equilíbrio trabalho-vida.
Framework teórico e metodológico original para compreender como o risco psicossocial no trabalho é estruturalmente alocado por configurações de sexo, estatuto migratório e classe ocupacional.
Perfil
Estudo como o trabalho molda a saúde psicológica — e por que esse impacto nunca se distribui ao acaso.
Sou psicóloga e PhD em Psicologia Aplicada. A minha investigação examina como o trabalho molda a saúde psicológica — e como esse impacto é atravessado por género, sexualidade, migração, classe ocupacional e arranjos institucionais.
O meu trabalho situa-se na intersecção entre saúde ocupacional, riscos psicossociais, género, interseccionalidade e inclusão LGBTQIA+ no trabalho. Combino abordagens qualitativas e quantitativas para compreender não apenas se o trabalho prejudica a saúde, mas para quem o trabalho se torna mais arriscado, em que condições e porquê.
Em publicações, projetos financiados e colaborações aplicadas, trabalho com questões relevantes para investigadoras e investigadores, organizações, instituições públicas e parceiros comunitários: como avaliar riscos psicossociais com mais precisão, como passar da inclusão formal para a inclusão vivida e como construir locais de trabalho mais seguros, justos e psicologicamente sustentáveis.
Tenho especial interesse em colaborações nas quais a investigação possa esclarecer padrões ocultos de risco, traduzir evidência em melhores práticas organizacionais ou apoiar comunidades cujas experiências laborais ainda são pouco representadas na investigação em saúde ocupacional.
Apresentações, publicações e eventos de investigação
Atualização em destaque
O artigo examina como conexão social, vulnerabilidade económica e pertença comunitária moldam a solidão entre homens brasileiros que fazem sexo com homens.
Henrique Pereira & Iara Teixeira
Um exame abrangente do panorama de riscos psicossociais enfrentado por trabalhadoras e trabalhadores LGBTQIA+ em Portugal, combinando dados quantitativos com abordagens interseccionais. Baseado numa bolsa de investigação financiada pelo RESTART 2023.00018.RESTART.
↗ Abrir PDF completoIara Teixeira
Disponível inicialmente em português. Livro teórico e aplicado sobre segurança psicossocial em contextos organizacionais, com destaque para dimensões interseccionais de género e identidade na inclusão no trabalho e na prática de gestão.
Em preparação — PDF disponível após publicaçãoIara Teixeira, Felipe Alckmin-Carvalho e Guilherme Welter Wendt
Disponível inicialmente em português. Guia prático e acessível de análise de dados em R para investigadoras, investigadores e estudantes sem experiência prévia em programação. Uma abordagem passo a passo, clara e amigável, cobrindo estatística descritiva, visualização e modelação inferencial.
Em preparação — PDF disponível após publicaçãoSaúde ocupacional × Interseccionalidade
Publicações-chave na intersecção entre risco psicossocial e estratificação social
Social Sciences
Social Determinants of Loneliness in Brazilian Men Who Have Sex with Men
Alckmin-Carvalho, F., Teixeira, I., Proença, C., Martins, N., Wendt, G., Santos, M., & Pereira, H. · ↗ DOI
International Journal of Transgender Health
"You Always Have to Prove Yourself": Trans Women's Experiences in the Portuguese Labor Market
Teixeira, I., Alckmin-Carvalho, F., & Pereira, H. · ↗ DOI
Behavioral Sciences 15(9) · Open access
"We Help Each Other Through It": Community Support and Labor Experiences Among Brazilian Immigrants in Portugal
Teixeira, I., Silva, P., Alckmin-Carvalho, F., Wendt, G.W., & Pereira, H. · ↗ DOI
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social · Open access
Clima de trabalho inclusivo LGBTQIA+ in Portugal: Sexual Minorities Employees' Perspectives
Teixeira, I., Alckmin-Carvalho, F., & Pereira, H. · ↗ DOI
Behavioral Sciences 15(2) · Open access
Psychosocial Determinants of Occupational Health Through the Lenses of Gender Identity and Sexual Orientation
Oliveira, A., Teixeira, I., Alckmin-Carvalho, F., & Pereira, H. · ↗ DOI
Revista Brasileira de Medicina do Trabalho · Open access
Psychosocial Risks at Work: Integrative Review and Conceptual Perspectives
Teixeira, I., Silva, I.S., & Cadime, I.M.D. · ↗ DOI
Theoretical and Applied Ergonomics · Open access
Direct and Indirect Effects of Organizational Support on Stress Levels: A Study Within the Car Industry
Teixeira, I.N., Wendt, G.W., Alckmin-Carvalho, F., & Freire, S.E.A. · ↗ DOI
PLOS Global Public Health · Open access
Validation of the Copenhagen Psychosocial Questionnaire III for Portugal
Cotrim, T.P., et al. (including Teixeira, I.) · ↗ DOI
Healthcare 13(23) · Open access
The Role of Ethnic Origin on Psychosocial Health in Portugal: An Examination of Risk and Protective Factors
Ledo, J., Cruz, M., Pereira, H., Teixeira, I., et al. · ↗ DOI
Projeto de investigação que integra a metodologia I-MAIHDA (30 estratos sociais), modelos de mediação serial (carga mental → conflito trabalho-família → sofrimento psicológico) e uma leitura crítica da Diretiva UE 2019/1158.
Framework teórico original para compreender a alocação interseccional de riscos psicossociais no trabalho. Em processo de revisão por pares.
The Intersectional Occupational Health Framework: Psychosocial Allocation and Vulnerabilization at Work
O que o framework explica
O IOH Framework explica como a posição dos trabalhadores em hierarquias laborais interseccionais molda as condições psicossociais que encontram. A atenção desloca-se do stresse individual isolado para a organização social das exigências, dos recursos, do reconhecimento e da vulnerabilidade.
Resumo visual
As pessoas entram no trabalho a partir de posições sociais e laborais interseccionais, não como indivíduos neutros.
Essas posições moldam como o trabalho é organizado e vivido: exigências, recursos, reconhecimento, autonomia e proteção institucional.
O resultado não é uma experiência universal de trabalho, mas exposição diferenciada ao dano e possibilidades desiguais de saúde e segurança.
O framework ajuda a perguntar: para quem o trabalho se torna mais arriscado, em que condições e por quais estruturas sociais?
Eixos estruturais
Capta a organização generificada do trabalho: quem realiza determinadas tarefas, como o trabalho é valorizado e quem carrega o peso do cuidado e da regulação emocional.
Mostra como deslocamento, cidadania, reconhecimento de qualificações e acesso a proteção institucional moldam exposição e vulnerabilidade.
Localiza trabalhadores em posições desiguais de autonomia, reconhecimento, recursos materiais, segurança no emprego e exposição a exigências.
Como ler o framework
O framework foi pensado como uma orientação conceptual para investigação em saúde ocupacional. Ele ajuda a estruturar perguntas, organizar variáveis e interpretar condições psicossociais desiguais sem reduzir essas desigualdades a acidentes individuais.
Identificar como trabalhadores se posicionam em sexo, estatuto migratório e classe ocupacional.
Examinar como exigências, recursos, reconhecimento e proteção institucional se organizam.
Compreender como condições desiguais moldam exposição ao dano e resultados de saúde diferenciados.
Investigação financiada concluída e em curso
Projetos financiados
Investigação concluída e em curso em saúde ocupacional, participação cívica, educação, inclusão e interseccionalidade.
Projeto financiado pelo Horizon Europe sobre envolvimento cívico juvenil e participação democrática na Europa, concluído em maio de 2026. Implementado por meio do Intersectionality Lab, envolve investigação comunitária aplicada, coprodução de conhecimento com jovens e coordenação internacional.
↗ Site do projetoProjeto Horizon Europe que examina como abordagens educativas baseadas em coleções apoiam a educação para o desenvolvimento sustentável em contextos formais e não formais de aprendizagem com crianças e jovens.
Projeto de investigação centrado nos riscos psicossociais, saúde ocupacional e fatores de proteção entre populações LGBTQIA+ em Portugal.
Histórias por trás da investigação e reflexões sobre trabalho, saúde e inclusão
As motivações, encontros e caminhos inesperados que moldaram cada estudo — nas palavras da investigadora.
Eu já trabalhava há tempo suficiente no campo da saúde LGBTQIA+ para perceber um padrão: sempre que se discutiam experiências laborais de populações LGBTQIA+, mulheres trans estavam ausentes dos dados ou apareciam apenas como nota de rodapé para explicar por que tinham sido excluídas. “População de difícil acesso.” “Amostra pequena.” “Limitações metodológicas.” O que eu lia nas entrelinhas era algo mais desconfortável: vidas consideradas demasiado inconvenientes para serem estudadas com rigor.
Isso não é apenas um problema metodológico. É um problema teórico e ético. Por isso fomos procurar. Realizámos entrevistas em profundidade com mulheres trans que navegam o mercado de trabalho português — e o que encontrámos não correspondia ao que as narrativas de crise normalmente preveem. Havia resiliência, estratégia, solidariedade. Mas havia também exaustão — a exaustão particular de ter de provar o próprio valor a cada passo, em cada função, diante de cada colega, repetidamente. Uma participante disse algo que nunca esqueci: “You always have to prove yourself.” Ela não estava a reclamar. Estava a descrever, com precisão, a estrutura da sua vida laboral. Essa frase tornou-se o título.
Este estudo nasceu de algo que vivi antes de estudar. Quando cheguei a Portugal para fazer o doutoramento, passei meses a trabalhar fora da minha área — o tipo de trabalho que muitas pessoas imigrantes recém-chegadas, sem reconhecimento imediato das suas qualificações, acabam por fazer enquanto esperam que os processos institucionais avancem. Eu era psicóloga, mas navegava um país que me pedia constantemente para provar competência de formas que tinham pouco a ver com competência e muito a ver com a minha origem.
Eu estava rodeada por pessoas em posições semelhantes: sobrequalificadas, mal remuneradas e profundamente dependentes umas das outras para orientação, indicações, apoio emocional e conhecimento prático que não aparece em nenhum guia oficial. Quando comecei a pensar sobre quem fica exposto a riscos psicossociais no trabalho e porquê, voltei muitas vezes a esse período. O título do artigo vem de uma frase dita por uma participante em entrevista. Ele capta algo que os dados confirmaram de forma consistente: aquilo que as instituições não oferecem, as pessoas constroem entre si.
Organizações exibem logótipos arco-íris em junho. Departamentos de recursos humanos introduzem políticas de inclusão. Formações em diversidade são oferecidas, certificados são emitidos e relatórios são escritos. Ainda assim — quando se pergunta a pessoas trabalhadoras LGBTQIA+ se isso muda o seu dia de trabalho concreto, a resposta frequentemente é: pouco. A distância entre gesto institucional e experiência vivida já me inquietava antes de se transformar numa pergunta de investigação. Eu queria saber se as práticas que as organizações afirmam ter correspondem ao que pessoas LGBTQIA+ realmente percebem, sentem e vivem. O que mais me interessava eram as condições em que essa distância diminui — o que de facto faz alguém sentir-se suficientemente seguro para ser quem é no trabalho. Essas são as condições que vale a pena compreender e construir.
Este espaço reunirá ensaios curtos e comentários sobre trabalho, saúde e políticas de inclusão.
Investigadora · Universidade da Beira Interior · Intersectionality Lab
Entrar em contacto
Para colaborações científicas, palestras, orientação, projetos aplicados ou pedidos de imprensa relacionados com saúde ocupacional, riscos psicossociais, interseccionalidade e inclusão LGBTQIA+.
Afiliações
Departamento de Psicologia e Educação
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas · Covilhã, Portugal
European Research Center
Säffle, Sweden